O Mercado Livre de Energia é a principal ferramenta para empresas que buscam atingir metas de carbono zero, pois viabiliza a escolha consciente e direta de seus fornecedores de eletricidade.
Esse poder de escolha permite que as organizações contratem 100% de seu consumo de energia a partir de fontes renováveis, como eólica, solar, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).
Ao tomar essa decisão, as empresas neutralizam efetivamente suas emissões de Escopo 2, que são as emissões indiretas provenientes da eletricidade adquirida e consumida.
O modelo também oferece certificados de energia renovável (I-RECs), documentos rastreáveis que servem como comprovação auditável e globalmente aceita do consumo de energia limpa.
Consequentemente, a migração para o ambiente de contratação livre alinha de forma estratégica e mensurável o suprimento energético aos compromissos ESG (Ambiental, Social e Governança) da organização.
Essa conexão direta entre a contratação de energia e as metas de sustentabilidade estabelece as bases para explorar os mecanismos que viabilizam essa transição de forma eficiente e segura.
O pilar da sustentabilidade no Ambiente de Contratação Livre (ACL)
Historicamente visto como um mecanismo de otimização financeira, o Ambiente de Contratação Livre (ACL) evoluiu para se tornar um pilar estratégico na jornada de sustentabilidade das corporações.
A liberdade de negociação, antes focada apenas em preço e prazo, agora engloba a origem da energia, permitindo que as empresas se tornem agentes ativos na transição para uma matriz energética mais limpa. Essa capacidade de alinhar a compra de um insumo essencial com os valores e metas de ESG transforma o setor elétrico em um aliado poderoso para a descarbonização.
A seguir, exploramos os mecanismos de contratação e as vantagens estratégicas que o ACL oferece para a agenda de carbono zero.
Mecanismos de contratação de energia renovável
O ACL disponibiliza instrumentos contratuais e certificações que permitem às empresas não apenas consumir, mas também comprovar o uso de energia limpa. Entender essas ferramentas é o primeiro passo para uma estratégia de descarbonização eficaz.
- Contratos bilaterais diretos: Firmar acordos de longo prazo (PPAs – Power Purchase Agreements) diretamente com geradores de fontes renováveis, garantindo previsibilidade de custo e incentivando a expansão de novos projetos de energia limpa.
- Aquisição de energia incentivada: Optar pela compra de energia de fontes especiais (eólica, solar, biomassa, PCHs), que além de limpa, confere descontos nas tarifas de uso do sistema de distribuição (TUSD), unindo sustentabilidade e economia.
- Certificados de Energia Renovável (I-REC): Comprar certificados que rastreiam e comprovam que a energia consumida foi gerada por uma fonte renovável específica, permitindo a neutralização das emissões mesmo que o contrato principal seja com uma fonte convencional.
- Flexibilidade na escolha da matriz: Montar um portfólio de contratos com diferentes fontes renováveis (hidrelétrica, solar, eólica) para garantir o fornecimento contínuo (lastro) e mitigar os riscos de intermitência.
- Cláusulas de sustentabilidade: Incluir nos contratos exigências e garantias sobre a origem da energia e o compromisso do gerador com práticas ambientais, sociais e de governança.
- Participação em leilões de energia renovável: Adquirir energia através de leilões privados e regulados focados exclusivamente em fontes limpas, fomentando a competitividade e o crescimento do setor.
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Vantagens estratégicas para o ESG corporativo
A decisão de migrar para o mercado livre e consumir energia renovável transcende o benefício ambiental, gerando valor tangível para o negócio. Essa escolha estratégica fortalece a agenda ESG e posiciona a empresa de forma mais competitiva no cenário global.
- Fortalecimento da reputação da marca: Associar a empresa a práticas sustentáveis, atraindo consumidores e talentos que valorizam a responsabilidade ambiental.
- Acesso a novos mercados e investidores: Atender às exigências de sustentabilidade de investidores (“green funds”) e de mercados internacionais, como a União Europeia, que impõem barreiras a produtos com alta pegada de carbono.
- Redução de riscos regulatórios: Antecipar-se a futuras regulamentações sobre taxação de carbono e outras políticas de mitigação climática, evitando custos e sanções.
- Aumento da competitividade: Reduzir os custos operacionais através da economia na conta de luz e, ao mesmo tempo, agregar valor ao produto final com um selo de sustentabilidade.
- Engajamento de stakeholders: Comunicar de forma transparente os avanços nas metas de descarbonização, fortalecendo o relacionamento com acionistas, clientes, colaboradores e a comunidade.
- Melhora em ratings de sustentabilidade: Obter melhores pontuações em índices como o Dow Jones Sustainability Index (DJSI) e o Carbon Disclosure Project (CDP), que avaliam o desempenho ESG das empresas.
A comprovação dessas ações é fundamental para evitar o “greenwashing”, o que nos leva à importância da rastreabilidade e da certificação da energia consumida.
A rastreabilidade e a certificação da energia limpa
Em um mercado cada vez mais atento à veracidade das alegações de sustentabilidade, não basta apenas consumir energia renovável; é imperativo poder comprovar sua origem de forma inequívoca.
A rastreabilidade é o mecanismo que garante essa transparência, permitindo que cada MWh de energia limpa gerado seja rastreado até seu consumidor final.
Essa comprovação é realizada por meio de certificados reconhecidos globalmente, que funcionam como um “RG” da energia, assegurando que os compromissos de carbono zero sejam auditáveis e legítimos.
- O padrão I-REC (International REC Standard): É o sistema de certificação de energia renovável mais difundido no mundo, inclusive no Brasil. Cada I-REC representa 1 MWh de energia gerada e injetada no sistema a partir de uma fonte limpa e rastreável.
- Processo de emissão e “aposentadoria”: Uma usina renovável certificada gera os I-RECs. Uma empresa compra esses certificados na quantidade equivalente ao seu consumo de energia. Para declarar a neutralização, a empresa “aposenta” os certificados, retirando-os de circulação para garantir que não sejam revendidos, evitando a dupla contagem.
- Comprovação para relatórios de sustentabilidade: I-RECs são a principal ferramenta para reportar o consumo de energia renovável e a redução de emissões de Escopo 2 em relatórios corporativos, como os baseados nas diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), do Carbon Disclosure Project (CDP) e do GHG Protocol.
- Garantia contra o “greenwashing”: Ao utilizar um sistema de certificação robusto e auditável, a empresa se protege contra acusações de “lavagem verde”, demonstrando com dados e documentos seu compromisso real com a descarbonização.
- Valorização da geração renovável: A demanda por I-RECs cria uma receita adicional para os geradores de energia limpa, incentivando ainda mais o investimento na expansão de usinas eólicas, solares e de biomassa.
- Diferença em relação à energia incentivada: Enquanto a energia incentivada oferece um benefício tarifário, o I-REC oferece a comprovação da sustentabilidade. Uma empresa pode comprar energia incentivada e, adicionalmente, adquirir I-RECs para garantir a rastreabilidade e o direito de declarar o uso de energia renovável.
Esses mecanismos de certificação são cruciais para dar credibilidade às metas de carbono zero das empresas. Eles refletem e impulsionam o crescimento expressivo das fontes renováveis no país, um movimento claramente visível nos dados do setor elétrico.
Crescimento das fontes renováveis no mercado livre brasileiro
O avanço da agenda ESG e a demanda por energia limpa por parte dos consumidores no Ambiente de Contratação Livre têm sido um dos principais vetores da expansão da matriz energética renovável no Brasil. A previsibilidade de receita, garantida pelos contratos de longo prazo (PPAs) firmados no ACL, viabiliza o financiamento e a construção de novas usinas eólicas e solares.
A tabela a seguir, com dados da Empresa de Pesquisa Energetica (EPE), ilustra a evolução da capacidade instalada dessas fontes, que atendem majoritariamente ao mercado livre.
| Fonte Renovável | Capacidade Instalada em 2020 (GW) | Capacidade Instalada em 2024 (GW) | Crescimento Percentual |
| Eólica | 17,1 | 31,5 | 84,2% |
| Solar Fotovoltaica (Centralizada) | 3,1 | 14,2 | 358,1% |
| Biomassa | 15,2 | 17,1 | 12,5% |
Fonte: Compilação de dados do Balanço Energético Nacional (BEN) 2024, ano-base 2023, e relatórios da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
O crescimento exponencial, especialmente da fonte solar fotovoltaica, demonstra a forte correlação entre a liberdade de escolha proporcionada pelo mercado livre e o avanço da descarbonização da matriz elétrica nacional.
Essa tendência não apenas ajuda o Brasil a cumprir suas metas climáticas, mas também oferece às empresas uma oportunidade única de liderar a transição energética. Para as corporações, integrar essa oportunidade a uma política de sustentabilidade coesa é o próximo passo para consolidar seus compromissos.
Desafios e estratégias para a jornada carbono zero
Embora o Mercado Livre de Energia seja uma ferramenta poderosa para a descarbonização, a jornada para o carbono zero exige uma estratégia integrada que vai além da simples aquisição de energia limpa.
As empresas precisam gerenciar desafios técnicos, como a variabilidade das fontes renováveis, e garantir que suas ações de sustentabilidade sejam coerentes e bem comunicadas. Superar esses obstáculos é fundamental para transformar o compromisso em resultados concretos e duradouros.
Lidando com a intermitência das fontes renováveis
Um dos principais desafios técnicos das fontes eólica e solar é a sua intermitência, ou seja, a geração de energia não ocorre 24 horas por dia. Para garantir um fornecimento de energia seguro e ininterrupto (lastro), as empresas, com o auxílio de gestoras especializadas, desenvolvem portfólios energéticos diversificados.
Essa estratégia consiste em combinar diferentes fontes renováveis, como a energia de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e de biomassa, que possuem uma geração mais estável, com a energia de fontes intermitentes.
Dessa forma, é possível assegurar o suprimento contínuo, aproveitando a competitividade de preço da energia solar e eólica e a confiabilidade das demais fontes renováveis.
Integrando o Mercado Livre à política de sustentabilidade global
A compra de energia renovável no ACL é uma ação de alto impacto, mas deve ser parte de uma política de sustentabilidade mais ampla para ser verdadeiramente eficaz. Isso significa integrar a iniciativa a um plano corporativo de ESG que inclua a medição rigorosa da pegada de carbono total da empresa (Escopos 1, 2 e 3), seguindo padrões internacionais como o GHG Protocol.
Além disso, é crucial estabelecer metas públicas de redução de emissões, comunicá-las de forma transparente em relatórios anuais e engajar toda a cadeia de valor, de fornecedores a clientes, na jornada pela descarbonização.
Apenas com essa abordagem holística a empresa pode legitimamente reivindicar liderança em sustentabilidade.
Navegar por esses desafios técnicos e estratégicos exige conhecimento especializado, tornando a parceria com uma consultoria experiente um fator crítico de sucesso para alinhar as oportunidades do mercado livre de energia com as metas globais de carbono zero.
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A transição para um futuro sustentável começa com as escolhas energéticas de hoje. Com a expertise da LEAD ENERGY, sua empresa pode navegar pelo Mercado Livre de Energia com segurança e eficiência, transformando metas de ESG em resultados concretos. Nossa consultoria especializada garante a contratação de energia limpa nas melhores condições de mercado, aliando economia financeira à responsabilidade ambiental e acelerando seu caminho rumo ao carbono zero.
Perguntas frequentes
Para esclarecer pontos importantes sobre a relação entre o mercado livre e as metas de sustentabilidade, compilamos as seguintes perguntas e respostas.
O que são emissões de Escopo 2?
As emissões de Escopo 2 são as emissões indiretas de gases de efeito estufa (GEE) provenientes da geração da eletricidade, vapor, calor ou resfriamento que uma empresa compra e consome.
Ao adquirir energia de fontes 100% renováveis no mercado livre, uma empresa consegue neutralizar essas emissões.
Comprar energia no mercado livre garante que minha empresa é carbono zero?
Não necessariamente. Garante a neutralização das emissões de Escopo 2 (relacionadas à eletricidade).
Para ser carbono zero, a empresa precisa também mitigar ou compensar suas emissões de Escopo 1 (fontes próprias, como frota de veículos) e Escopo 3 (cadeia de valor, como fornecedores e descarte de produtos).
O que é um I-REC e para que serve?
O I-REC (International REC Standard) é um certificado global que comprova que 1 MWh de eletricidade foi gerado a partir de uma fonte de energia renovável.
Ele serve para que as empresas possam rastrear e declarar o consumo de energia limpa de forma auditável, sendo essencial para relatórios de sustentabilidade e para evitar a dupla contagem.
Energia renovável é mais cara no mercado livre?
Geralmente, não. Devido à alta competitividade e à abundância de recursos eólicos e solares no Brasil, os preços da energia renovável no mercado livre são frequentemente mais baixos do que os da energia convencional no mercado cativo.
A contratação de longo prazo ajuda a garantir preços vantajosos e previsibilidade.
Qualquer empresa pode comprar energia renovável no ACL?
Desde janeiro de 2024, todos os consumidores do Grupo A (alta e média tensão) podem migrar para o mercado livre e, consequentemente, escolher comprar energia de fontes renováveis.
A expectativa é que o mercado seja totalmente aberto para todos os consumidores, incluindo os residenciais, nos próximos anos.
Como comprovar a redução de emissões para meus stakeholders?
A principal forma é através de relatórios de sustentabilidade anuais, utilizando os certificados I-REC para comprovar a neutralização do Escopo 2.
A empresa também deve seguir as diretrizes do GHG Protocol para inventariar suas emissões e demonstrar a redução percentual ano a ano, comunicando os resultados de forma transparente.

