Economia de energia em supermercados: práticas recomendadas

As práticas mais recomendadas para a economia de energia em supermercados focam em três áreas críticas: otimização dos sistemas de refrigeração, modernização da iluminação para LED e gestão eficiente do ar-condicionado (HVAC).

A refrigeração, em especial, é a maior consumidora, exigindo manutenção preventiva rigorosa e o uso de equipamentos com portas.

Além disso, a implementação de sistemas de monitoramento de consumo em tempo real permite a identificação de desperdícios.

A migração para o mercado livre de energia surge como uma estratégia de gestão fundamental para reduzir os custos fixos da fatura.

O calcanhar de aquiles: refrigeração e climatização

Supermercados são operações de alta complexidade energética, funcionando como verdadeiros centros de consumo intensivo.

O maior vilão, sem dúvida, é o sistema de refrigeração alimentar, que precisa operar 24 horas por dia para garantir a segurança e a qualidade dos produtos perecíveis.

Somado a isso, o sistema de climatização (HVAC), responsável pelo conforto térmico dos clientes, também representa uma fatia substancial do consumo.

A interação entre esses dois sistemas é complexa.

O calor gerado pelos condensadores da refrigeração precisa ser dissipado, muitas vezes exigindo mais do ar-condicionado.

A gestão integrada desses dois pilares é o ponto de partida para qualquer projeto de eficiência energética no varejo alimentar, pois sem um controle rigoroso sobre o frio, a economia de energia se torna uma meta inatingível.

Iluminação e equipamentos: os consumidores silenciosos

Embora a refrigeração domine os custos, a iluminação tem um papel duplo em supermercados.

Ela é essencial para a experiência de compra e para o marketing visual dos produtos.

No entanto, sistemas antigos, baseados em lâmpadas fluorescentes, são ineficientes.

Eles não apenas consomem mais energia, mas também geram calor adicional.

Esse calor extra sobrecarrega o sistema de climatização, e outros equipamentos, como padarias, rotisserias e caixas (checkouts), somam-se a esse consumo.

Estratégias de eficiência em iluminação

A modernização da iluminação é uma das ações com retorno sobre o investimento (ROI) mais rápido:

  • Migração total para LED: Substituir todas as lâmpadas fluorescentes por tecnologia LED, que consome muito menos e possui uma vida útil drasticamente maior.
  • Setorização e dimerização: Instalar sistemas que permitam controlar a intensidade da luz em diferentes áreas (como estoque vs. área de vendas) ou horários.
  • Uso de sensores de presença: Aplicar sensores em áreas de baixa circulação, como estoques e banheiros, para que a luz só seja acesa quando necessário.
  • Aproveitamento da luz natural: Onde a arquitetura permitir, utilizar claraboias e janelas para reduzir a necessidade de luz artificial durante o dia.
  • Manutenção de luminárias limpas: A poeira e a sujeira podem reduzir significativamente a eficiência luminosa, exigindo mais luzes acesas.
  • Iluminação de destaque eficiente: Utilizar LEDs também nas luzes de foco em gôndolas de destaque, evitando lâmpadas halógenas (dicroicas) antigas.

Otimização de equipamentos de panificação e rotisseria

Os equipamentos de “produção” interna são grandes consumidores de energia e precisam de gestão ativa:

  • Uso de fornos eficientes: Priorizar fornos com selos de eficiência (como o selo procel) e com bom isolamento térmico para evitar perdas de calor.
  • Programação de ligamento: Evitar o pré-aquecimento desnecessário dos fornos, ligando-os apenas no tempo estipulado para o início da produção.
  • Manutenção de gaxetas e vedações: Verificar regularmente as borrachas de vedação de fornos e câmaras aquecidas para impedir a fuga de calor.
  • Desligamento de equipamentos ociosos: Criar uma cultura operacional para desligar fritadeiras, chapas e estufas em períodos de baixa ou nenhuma demanda.
  • Calibração de termostatos: Garantir que os termostatos dos equipamentos estejam aferidos corretamente, evitando que operem em temperaturas mais altas que o necessário.
  • Gestão de exaustão: O sistema de exaustão dessas áreas também consome energia e pode “sugar” o ar climatizado da loja, exigindo balanceamento.

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Gestão ativa e monitoramento: a energia como dado

A máxima da gestão “o que não é medido não pode ser gerenciado” é perfeitamente aplicável aos supermercados.

A fatura de energia tradicional é um dado reativo, que chega 30 dias após o consumo.

Para uma economia de energia efetiva, é preciso de dados em tempo real.

A instalação de sistemas de gestão de energia (SGE ou EMS) transforma o consumo em um fluxo de dados.

Isso permite que o gestor veja exatamente qual equipamento está consumindo mais, em qual horário, sendo o monitoramento contínuo a base para a eficiência operacional.

A importância do fator de potência e demanda contratada

A gestão de dados energéticos vai além do simples consumo (kWh) e é vital para supermercados no Grupo A.

O primeiro ponto de análise é o fator de potência, que mede a eficiência do uso da energia elétrica.

Um fator de potência baixo, comum em locais com muitos motores (como os compressores de refrigeração), resulta em multas significativas na fatura da distribuidora.

Softwares de monitoramento identificam essa necessidade, permitindo a instalação corretiva de bancos de capacitores.

Além disso, a gestão da “demanda contratada” é crucial.

Supermercados têm picos de consumo, e se esse pico ultrapassar o valor contratado com a distribuidora, as penalidades são severas.

O monitoramento em tempo real permite ao gestor “desligar” cargas não essenciais (como um ar-condicionado de área administrativa) temporariamente para evitar a ultrapassagem, e essas duas ações técnicas, invisíveis ao cliente, geram uma economia substancial e imediata.

O coração do supermercado: eficiência em sistemas de frio alimentar

A refrigeração é, de longe, o maior centro de custo energético de um supermercado, mas também o que oferece mais oportunidades.

A tabela abaixo detalha as principais ações de eficiência para sistemas de frio alimentar.

Área de AtuaçãoPrática Recomendada de EficiênciaImpacto Esperado na Economia de Energia
Expositores AbertosInstalação de portas em balcões refrigerados (ilhas e verticais)Alto (Reduz a troca de calor com o ambiente da loja)
Manutenção PreventivaLimpeza regular de condensadores e evaporadoresMédio (Garante a troca térmica eficiente, evitando sobrecarga)
Controle de VazamentosMonitoramento e reparo de vazamentos de fluido refrigeranteMédio (Evita que o sistema trabalhe com baixa eficiência)
Degelo (Defrost)Implementação de sistemas de degelo por demanda (inteligente) em vez de por tempo fixoAlto (Evita ciclos de degelo desnecessários)
Isolamento TérmicoVerificação e manutenção do isolamento de câmaras frias e tubulaçõesMédio (Impede a entrada de calor externo)
Tecnologia de CompressoresModernização de centrais de frio para sistemas com compressores de velocidade variável (inverters)Alto (Ajusta a capacidade de refrigeração à demanda real)

Fonte: Baseado em estudos e melhores práticas de eficiência energética para o setor varejista, compilados por associações como a ABESCO (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia). Link exato: https://www.abesco.com.br/

A adoção dessas medidas não apenas reduz o consumo de energia direta, mas também diminui a carga térmica no ambiente da loja.

Isso, por sua vez, alivia o sistema de ar-condicionado, criando um ciclo virtuoso de economia.

O investimento inicial em modernização, como a instalação de portas, é rapidamente pago pela economia gerada na fatura de energia, sendo uma das estratégias mais defendidas por especialistas.

A estratégia de compra: o mercado livre de energia

Enquanto todas as práticas anteriores focam em “como” a energia é usada (eficiência energética), existe uma estratégia paralela que foca em “quanto” se paga por ela.

Supermercados, por seu alto consumo e por estarem geralmente conectados em alta tensão (Grupo A), são consumidores ideais para o mercado livre de energia.

A migração para o ambiente de contratação livre (ACL) permite que o supermercado deixe de ser um cliente cativo da distribuidora local.

Nesse ambiente, o gestor pode negociar e comprar energia diretamente de geradores e comercializadoras, muitas vezes com preços mais competitivos e previsíveis.

A previsibilidade é um benefício chave, pois o contrato no ACL elimina o impacto das bandeiras tarifárias (vermelha, amarela), que causam grande volatilidade nos custos do mercado regulado.

Isso transforma o custo de energia de uma despesa variável e imprevisível em um custo fixo gerenciável, e no mercado livre de energia, o supermercado pode optar por comprar energia de fontes renováveis (como eólica ou solar), o que agrega valor à marca e melhora o rating ESG da empresa.

A sinergia entre eficiência e gestão de contratos

A máxima economia de energia em supermercados é alcançada quando as duas frentes atuam juntas: eficiência (reduzir o consumo) e gestão (reduzir o preço).

De nada adianta migrar para o mercado livre de energia e obter um preço de MWh mais barato, se a operação continua desperdiçando energia com equipamentos ineficientes.

O desperdício continuará, apenas com um custo unitário menor.

Da mesma forma, não adianta ter a loja mais eficiente do ponto de vista técnico, se a empresa está pagando a tarifa mais cara no mercado cativo.

A combinação das duas estratégias é o que leva à otimização financeira total.

A inteligência de dados gerada pelo monitoramento se torna vital no ACL para uma correta contratação de demanda e volume, pois erros na contratação de demanda no mercado livre de energia podem ser tão caros quanto no mercado cativo.

Transforme seu custo de energia em vantagem competitiva

A gestão de energia em um supermercado não é mais um custo operacional, mas uma alavanca estratégica de lucratividade.

A migração para o ambiente livre é o passo definitivo para otimizar essa despesa.

A Lead Energy é especialista em conduzir redes de supermercados para o mercado livre de energia, analisando seu perfil de consumo para garantir a melhor contratação e a máxima economia.

Deixe nossa equipe cuidar da complexidade da migração para que você possa focar na gestão do seu negócio.

Perguntas Frequentes

Qual o impacto real de instalar portas nos balcões de refrigeração?

O impacto é imediato e duplo.

Além da óbvia economia de energia por evitar a fuga do ar frio para o ambiente da loja, a instalação de portas melhora o conforto térmico dos clientes, que deixam de sentir o “corredor frio”.

O que é “degelo por demanda” e como ele economiza energia?

O degelo tradicional funciona por tempo (timer), acionando resistências elétricas para derreter o gelo do evaporador, mesmo que não seja necessário.

O degelo por demanda usa sensores para acionar o ciclo apenas quando o gelo realmente se forma, evitando o gasto desnecessário de energia das resistências.

A troca para LED realmente compensa o investimento inicial?

Sim, pois a tecnologia LED não só reduz o consumo de energia da iluminação, mas também diminui a carga de calor no ambiente, aliviando o sistema de ar-condicionado.

Um supermercado de médio porte pode migrar para o mercado livre de energia?

Sim, desde 2024, qualquer consumidor conectado em alta tensão (Grupo A), independentemente da sua demanda contratada, está apto a migrar para o mercado livre de energia.

Isso abriu as portas para que supermercados de bairro, padarias industriais e lojas de médio porte acessem a economia do ACL.

A migração para esses consumidores é feita de forma simplificada através do comercializador varejista.

Como a manutenção dos equipamentos da padaria impacta a conta de luz?

Fornos com vedações (gaxetas) ruins perdem calor para o ambiente, exigindo que as resistências fiquem ligadas por mais tempo para manter a temperatura.

Isso gera um consumo duplo: mais energia no forno e mais energia no ar-condicionado para remover esse calor do ambiente da loja.

O que é mais importante: focar na eficiência dos equipamentos ou migrar para o mercado livre?

As duas ações não são excludentes; elas são complementares e devem ser feitas em paralelo para a máxima economia.

A eficiência energética reduz o volume de energia que você precisa comprar (seu consumo em MWh).

O mercado livre de energia reduz o preço que você paga por cada MWh que você ainda precisa consumir.

Fontes