Como a contratação de energia renovável no Mercado Livre pode melhorar o rating ESG da empresa?

A contratação de energia renovável no mercado livre de energia (ACL) melhora o rating ESG de uma empresa ao atacar diretamente o pilar ambiental (“E”).

Isso ocorre porque o ACL permite à empresa escolher ativamente seus fornecedores, optando por fontes limpas como solar, eólica ou biomassa.

Essa escolha possibilita a redução mensurável das emissões de gases de efeito estufa (GEE) relativas ao consumo de energia, conhecidas como emissões de Escopo 2.

A comprovação dessa ação é feita por meio de certificados de energia renovável (como o I-REC), que fornecem a rastreabilidade e a transparência exigidas por investidores e agências de rating ESG.

O pilar “E” (ambiental) e a escolha no mercado livre

A sigla ESG (environmental, social and governance) representa os três pilares centrais que medem a sustentabilidade e o impacto ético de uma corporação.

O pilar ambiental (“E”) é, frequentemente, o mais impactado pelas operações de uma empresa, sendo o consumo de energia elétrica uma de suas principais métricas.

No mercado cativo (regulado), uma empresa é forçada a comprar energia da distribuidora local, recebendo um “mix” de fontes que inclui termelétricas e outras fontes não renováveis, sem qualquer poder de escolha.

Essa falta de rastreabilidade torna impossível para a empresa garantir a origem limpa de sua energia.

O mercado livre de energia quebra essa barreira ao transformar o consumidor em um agente ativo.

Ao migrar para o ACL, a companhia ganha o poder de decisão e pode direcionar seus recursos para contratar energia gerada exclusivamente por usinas certificadas, alinhando sua operação à estratégia de sustentabilidade.

A materialidade da redução de emissões

A gestão de emissões de gases de efeito estufa é um dos pontos-chave na avaliação de qualquer rating ESG.

O consumo de energia elétrica comprada é classificado pelo GHG Protocol, a metodologia mais utilizada globalmente, como “Escopo 2”.

No mercado livre de energia, a empresa pode comprovar que sua energia é de origem renovável e, com isso, neutralizar ou reduzir drasticamente suas emissões de Escopo 2 em seus inventários de GEE.

Isso não é apenas uma declaração de intenção; é uma redução contábil e auditável da pegada de carbono.

Agências de rating, investidores e consumidores valorizam empresas que demonstram ações concretas de descarbonização, e a compra direta de energia limpa é uma das ações de maior impacto.

Mecanismos de comprovação: a importância dos certificados

A simples assinatura de um contrato no mercado livre de energia não é suficiente para garantir a melhoria no rating ESG; a comprovação auditável é essencial.

  • O que são I-RECs: O I-REC (International Renewable Energy Certificate) é o principal instrumento para isso.
  • Funcionamento: Cada I-REC equivale a 1 Megawatt-hora (MWh) de energia gerada e injetada no sistema a partir de uma fonte renovável comprovada.
  • Rastreabilidade: Ao comprar I-RECs equivalentes ao seu consumo, a empresa se “apropria” dos atributos ambientais daquela energia gerada, garantindo que ela não seja vendida para mais ninguém.
  • Validade para o GHG Protocol: Esses certificados são reconhecidos internacionalmente e aceitos pelo GHG Protocol para a contabilização e abatimento das emissões de Escopo 2.
  • Emissão no brasil: No brasil, o Instituto Totum é o emissor local autorizado desses certificados, garantindo a legitimidade do processo.
  • Relatórios ESG: A posse e “aposentadoria” (uso) desses certificados são as evidências que a empresa apresenta em seus relatórios de sustentabilidade para validar suas métricas do pilar “E”.

O impacto no pilar “G” (governança)

A escolha pela energia renovável no mercado livre de energia também reforça diretamente o pilar de governança (“G”).

  • Gestão de risco climático: Demonstra que a administração da empresa (o conselho e a diretoria) está ativamente gerenciando os riscos associados às mudanças climáticas e à transição para uma economia de baixo carbono.
  • Transparência: A capacidade de rastrear a origem da energia e publicá-la em relatórios de sustentabilidade aumenta a transparência da empresa perante seus stakeholders.
  • Resiliência do negócio: Investidores veem a dependência de fontes fósseis como um risco financeiro futuro, seja por taxação de carbono ou volatilidade de preços.
  • Decisão estratégica: A governança é fortalecida quando a compra de energia deixa de ser uma decisão puramente operacional de “pagar a conta” e se torna uma decisão estratégica alinhada à visão de longo prazo do negócio.
  • Atração de capital: Fundos de investimento que seguem mandatos ESG priorizam alocar capital em empresas com boa governança climática.
  • Fiduciary duty: Reforça o cumprimento do dever fiduciário dos administradores, que é o de proteger o valor da empresa no longo prazo, considerando todos os riscos relevantes, incluindo os climáticos.

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veja O que é o Mercado de Carbono e como ele funciona?

O que é a certificação I-REC e como funciona?

O pilar “S” (social) e a origem da energia

A decisão de migrar para o mercado livre de energia pode parecer focada apenas no “E” e no “G”, mas ela possui um potencial imenso para impactar positivamente o pilar social (“S”).

Isso acontece quando a empresa não se limita a perguntar “que tipo” de energia compra, mas sim “de quem” ela compra.

A energia renovável é gerada por projetos físicos (parques eólicos, usinas solares) que estão localizados em comunidades.

Uma empresa com uma estratégia ESG madura utilizará seu poder de compra no ACL para fomentar projetos que demonstrem claros benefícios sociais.

Isso pode incluir a priorização de usinas que geram empregos locais, que investem em programas de educação na região ou que possuem selos específicos de responsabilidade social.

O diferencial dos certificados com atributos sociais

Algumas certificações de energia renovável no brasil, como o Selo REC Brazil, vão além do I-REC padrão.

Além de comprovarem a origem renovável da energia, esses selos atestam que o empreendimento de geração atende a critérios adicionais de sustentabilidade e possui impactos sociais positivos, muitas vezes alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Ao buscar ativamente fornecedores com essas credenciais, a empresa usa sua contratação de energia para fomentar diretamente o pilar “S” do seu ESG.

Isso cria uma narrativa poderosa para investidores e consumidores, mostrando que a empresa não está apenas reduzindo danos (cortando carbono), mas também gerando benefícios sociais ativos.

Empresas de energia eólica, por exemplo, podem ter programas de arrendamento de terras que geram renda para comunidades rurais, um fato que pode ser destacado no relatório ESG do comprador.

O mercado livre de energia é a única ferramenta que permite ao consumidor ter esse nível de granularidade na sua escolha, selecionando parceiros que reflitam seus valores corporativos.

A escolha de parceiros que promovem uma transição energética justa e equitativa, como defendido por instituições como o IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente), é um diferencial competitivo.

Comparativo de impacto ESG: mercado regulado vs. mercado livre

A tabela abaixo ilustra as diferenças fundamentais de impacto na agenda ESG entre os dois ambientes de contratação de energia.

Isso evidencia como o mercado livre de energia é uma ferramenta de gestão indispensável para empresas comprometidas com a sustentabilidade.

CaracterísticaMercado Regulado (ACR)Mercado Livre (ACL)
Pilar “E” (Ambiental)Consumo passivo do mix do grid, sem rastreabilidade de emissões de Escopo 2.Escolha ativa de fontes 100% renováveis, permitindo a neutralização de emissões de Escopo 2.
Comprovação (Auditoria)Inexistente. A empresa não pode se apropriar de atributos limpos do mix.Direta e auditável através da aquisição e aposentadoria de certificados (I-RECs).
Pilar “G” (Governança)Reativa. A empresa apenas paga a conta e está exposta ao risco de transição energética.Proativa. Demonstra gestão de risco climático, transparência e alinhamento estratégico.
Pilar “S” (Social)Nulo. Impossível rastrear ou fomentar o impacto social dos geradores que fornecem energia à distribuidora.Direcionável. Possibilidade de escolher fornecedores e projetos com certificações sociais (Selo REC Brazil) e que geram benefícios locais.

Fonte: Elaborado com base nos conceitos de rastreabilidade de energia e nos benefícios do mercado livre destacados pela ABRACEEL (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia) e nos princípios de transição justa do IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente). Links: https://abraceel.com.br/pt/mercado/sobre e https://energiaeambiente.org.br/

A análise da tabela deixa claro que permanecer no mercado regulado é uma postura passiva que se torna cada vez mais difícil de justificar em um relatório ESG.

O mercado livre de energia oferece as ferramentas para que a empresa saia da passividade e assuma o protagonismo de sua própria jornada de descarbonização.

Essa proatividade é, em essência, o que as agências de rating ESG procuram.

O mercado livre como indutor da transição energética

Ao optar por energia renovável no mercado livre de energia, a empresa faz mais do que apenas “limpar” seu próprio consumo.

Ela emite um sinal claro ao mercado, criando uma demanda firme por energia limpa que viabiliza a construção de novos parques eólicos e solares.

Como destacado pela ABRACEEL, o ambiente de contratação livre tem sido o principal motor para a expansão da geração de energia renovável centralizada no brasil.

Sem a demanda de consumidores livres, muitos desses projetos não teriam a segurança financeira (contratos de longo prazo, ou PPAs) para serem construídos.

Portanto, ao migrar e escolher um contrato de energia renovável, a empresa se torna uma financiadora direta da transição energética do país.

Esse impacto sistêmico é um argumento extremamente forte para o pilar “E” do ESG, pois demonstra uma contribuição que vai além das fronteiras da própria empresa.

A energia como um ativo de marca e reputação

Em última análise, o ESG é uma métrica de gestão de risco e de reputação.

Uma empresa que negligencia seu consumo de energia e suas emissões está exposta a riscos regulatórios (como taxação de carbono) e riscos reputacionais (ser vista como “suja” por clientes e investidores).

A contratação de energia renovável no ACL é uma das formas mais rápidas e econômicas de mitigar esses dois riscos simultaneamente.

A capacidade de estampar um selo de “energia 100% renovável” em seus produtos ou relatórios anuais, com a devida comprovação dos I-RECs, transforma a fatura de energia de um simples custo em um investimento de marketing e branding.

O mercado livre de energia é o habilitador que permite essa transformação.

Dê o próximo passo em sua estratégia ESG

A transição para o mercado livre de energia é uma das decisões estratégicas com maior impacto positivo no rating ESG que uma empresa pode tomar.

Ela permite não apenas a redução de custos, mas transforma a energia em um pilar de sustentabilidade, transparência e responsabilidade social.

A Lead Energy é especialista em guiar empresas nessa jornada, garantindo que a migração seja feita de forma segura e estratégica.

Nossa consultoria ajuda seu negócio a encontrar os fornecedores ideais e a estruturar a compra de energia e certificados para maximizar o retorno econômico e o impacto positivo em seu relatório ESG, utilizando o mercado livre de energia como sua principal ferramenta de transformação.

Perguntas Frequentes

O que é o Escopo 2 de emissões?

São as emissões indiretas de gases de efeito estufa (GEE) provenientes da aquisição de energia elétrica, vapor, calor ou refrigeração.

Ao comprar energia da rede, a empresa é indiretamente responsável pelas emissões da geração dessa energia, e o mercado livre de energia com I-RECs permite zerar essa responsabilidade.

Qualquer empresa pode comprar I-RECs?

Sim, qualquer empresa pode comprar I-RECs, mesmo as que estão no mercado cativo.

No entanto, no mercado livre de energia, a empresa pode negociar a compra da energia e dos certificados de forma conjunta e com melhores condições, garantindo o alinhamento total da sua estratégia.

O que é o Selo REC Brazil?

É uma certificação adicional ao I-REC padrão, que atesta que a usina de energia renovável também cumpre critérios de sustentabilidade e responsabilidade social alinhados aos ODS da ONU.

Como a migração para o mercado livre ajuda no pilar “G” (Governança)?

Ela demonstra uma gestão proativa dos riscos climáticos, um tema cada vez mais exigido por conselhos de administração e investidores.

Mostra que a empresa está tomando decisões estratégicas para garantir sua resiliência e transparência no longo prazo.

Além disso, a escolha de fornecedores éticos e transparentes reforça a cadeia de suprimentos da empresa.

O pilar “S” (Social) não é impactado negativamente por usinas eólicas?

Existe um debate sobre os impactos sociais de grandes projetos de energia, como qualquer grande obra de infraestrutura.

É exatamente por isso que uma boa estratégia ESG no mercado livre de energia envolve escolher quais projetos apoiar, priorizando fornecedores que demonstram ter um impacto social positivo e licenciado, como os que possuem o Selo REC Brazil.

Apenas grandes empresas conseguem melhorar o ESG com o mercado livre?

Não. Com a abertura do mercado para todos os consumidores do Grupo A, empresas de médio porte agora têm o mesmo acesso a essa ferramenta.

Através do modelo de comercializador varejista, a migração e a compra de energia renovável tornaram-se acessíveis e simplificadas.

Isso permite que negócios de diversos tamanhos possam usar o mercado livre de energia para melhorar sua competitividade e seu rating ESG.

Fontes